Entrevistas

Batemos um papo com Mike Deodato Jr.

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Batman, Homem-Aranha, Thor, Wolverine, Hulk, Justiceiro e muitos outros heróis e vilões já passaram pelo traço de Mike Deodato Jr., paraibano que já trabalhou para grandes estúdios internacionais.

Ele começou sua carreira cedo, aos 15 anos, quando lançou um fanzine de seu personagem chamado “Ninja”. Passou a ser chargista e depois se tornou quadrinista profissional. Trabalhou com o seu pai em “3000 Anos Depois” e a “A História da Paraíba”, posteriormente ficou conhecido no ramo quando desenhou Mulher-Maravilha em 1994, para a DC Comics.

Mais tarde foi contratado pela Marvel e chegou a desenhar muitos heróis conhecidos, como Os Vingadores, Elektra e todos aqueles que citamos acima.

O trabalho mais recente de Dedorato é uma HQ 100% autoral chamada “Quadros” (Editora Mino), que reúne histórias curtas criadas pelo artista. São narrativas que deturpam a realidade dele, como sua filha ser transformada em uma super-heroína, a abordagem de temas como religião, política, comportamento e até uma história de terror inspirada em uma ida ao dentista.

Nós batemos um papo com o Mike para falar sobre a sua carreira, arte, projetos passados e futuros. Confere aí!

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Entrevista com Mike Deodato Jr.

Geekness: Conta pra gente um pouco de como foi a sua carreira. Como você começou a se interessar pelos quadrinhos e o que te levou a trabalhar para grandes estúdios como a Marvel e a DC?

Mike Deodato: Foi sob a influência do meu pai, que também desenhava. Ele criou a primeira revista em quadrinhos do Nordeste, As Aventuras do Flama. Comecei fazendo fanzines e cheguei ter um certo nome nos anos 80, embora ainda não conseguisse viver de quadrinhos. No começo dos anos 90, fui contatado pela recém-criada agência Art & Comics para fazer alguns trabalhos para o mercado Americano e, desde então, não parei mais.

E como é a rotina de trabalho? No caso, quanto tempo você leva para desenhar uma página, como você recebe os trabalhos, os envia, etc…

Em média, levo cerca de um dia, mas depende de quão complicado trabalho é: número de quadros, de personagens, etc. Recebo os roteiros via e-mail e mando as páginas via um servidor de FTP. Trabalho todos os dias das 8h às 22h, mais ou menos.

Você aparentemente aprendeu muita coisa com seu pai. O que de mais valioso você acha que ficou das parcerias que fez com ele, como nas publicações 3000 Anos Depois e A História da Paraíba em Quadrinhos?

Pra mim, tudo o que fizemos serviu como um aprendizado na arte de contar uma história. Para os leitores. Acho que 3000 Anos Depois foi a história mais marcante e importante.

É muito diferente realizar projetos autorais ou aqui no Brasil e para grandes estúdios internacionais?

A recompensa financeira no exterior é maior, mas não há nada que pague publicar algo em sua terra natal. O álbum Quadros, que acabei de publicar pela editora Mino é a obra de que tenho mais orgulho até hoje.

Sua arte é muito cuidadosa, com iluminação bem marcada e uso de hachuras para o meio tom. É fácil reconhecer seu traço em trabalhos antigos e novos, mas podemos notar algumas mudanças desde sua famosa fase em Wonder Woman, em comparação ao que fez em Hulk (com Bruce Jones) e Avengers (com Brian Bendis), por exemplo. Seu traço ficou mais limpo e escuro, com áreas de sombra maiores, fornecendo uma atmosfera mais pesada às histórias. Você tem buscado personagens mais sombrios, ou adequa seu estilo a esses personagens?

É um pouco de tudo. Eu sempre procuro o melhor ângulo em termos de estilo para cada história, mas também tem muito de querer experimentar coisas novas, de estar sempre evoluindo e estudando minha arte. Esta é a parte mais divertida do meu trabalho.

Você sempre utilizou referências fotográficas para compor a fisionomia dos personagens? Seu Norman Osborn é baseado em Tommy Lee Jones, correto?

Nem sempre, mas é um recurso que uso bastante. Além de ser uma maneira de homenagear os atores que admiro, é como se eu estivesse escalando meu próprio filme. Norman é Tommy Lee Jones, Bruce Banner é Van Damme, Peter Parker é Jason Priestley, e por aí vai.

Como funciona o trabalho com o roteiro e envio da arte? Você pode mudar elementos da história, tem contato direto com o roteirista, como fica isso?

Tenho contato direto com os roteiristas, mas não tenho a liberdade de mudar a história. O que posso fazer é contribuir para contar aquela história melhor. Se eu, por exemplo, achar que aumentando a quantidade de quadros, mudando ângulos e escolhendo outros quadros para serem o de maior destaque na página estarei melhorando a narrativa, eu faço.

Você é um dos poucos desenhistas em atividade que, geralmente, faz também sua arte final. Você sempre preferiu arte-finalizar seus desenhos, mesmo antes de aderir ao uso do tablet?

Sempre preferi, embora tenham havido momentos em que tive que ter outros finalizando meus trabalhos, por questão de prazos.

Ainda em relação ao tablet: que modelo você usa e de que formas esse novo processo facilitou o seu trabalho?

Uso uma Cintiq 27 em casa e uma Companion quando viajo, ambos equipamentos da Wacom. Meu processo ficou pelo menos três vezes mais rápido com a Cintiq. O fato de pular etapas com o escaneamento e tratamento da imagem por si só já foi um grande ganho de tempo, mas também entram todas as vantagens do ctrl-z, do zoom para detalhes, das ferramentas de cada software de desenho, etc. A Companion me liberou para viajar e desenhar em qualquer lugar que estiver, até naquelas demoradas esperas em consultórios médicos ela vai comigo.

Você acha que a cena de quadrinhos nacional vai bem? Quais obras e artistas brasileiros você recomendaria a leitura?

Vivemos um excelente momento, tanto em termos de vendas quanto de criatividade. Lavagem de Shiko, L’Amour: 12 oz de Luciano Salles e Harmatã de Pedro Cobiaco, eu altamente recomendo.

Está trabalhando em algum projeto para agora ou para o futuro próximo? Fale um pouco sobre.

Tenho alguns projetos engatilhados mas infelizmente ainda não posso falar sobre eles. No momento, além de fazer Guardians of Knowhere para a Marvel, me dedico à divulgação de meus álbuns, Quadros e 3000 Anos Depois, ambos lançados no dia 18 de Julho, na Fest Comix.

Tem alguma (ou algumas) revistas que você mais gostou de fazer? E que tipo de personagem você mais curte desenhar?

Wolverine é meu favorito, mas não tem nada que supere o prazer que tive em desenhar e escrever Quadros.

Há algum personagem que você gostaria muito mas ainda não teve a oportunidade de desenhar?

Adoraria desenhar Conan, o bárbaro.

Qual o maior desafio que você já teve de vencer na carreira?

Ter chegado ao topo, em meados dos anos 90, e cair no final. Tive que me reinventar tanto profissionalmente quanto na vida pessoal e este foi um desafio e tanto.

Fora dos quadrinhos e do trabalho, o que você gosta de fazer? Tem algum hobby?

Praticar Karatê e assistir séries.

Qual a sua dica para os jovens artistas brasileiros que sonham em ter uma carreira de sucesso?

MD: Seja obsessivo com sua arte e nunca pare de aprender.

Confira algumas das sensacionais artes do Mike

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É isso! Mais trabalhos dele você encontra aqui.

 

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Jornalista, co-fundador do Geekness. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru e BABOO e repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World. Curta o Geekness no Facebook!