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Intenso ensaio fotográfico relembra os últimos sobreviventes suíços do Holocausto

Retratos acompanhados de relatos emocionantes

O fotógrafo suíço Beat Mumenthaler, em parceria com a Fundação Gamaraal, criou um intenso ensaio fotográfico para relembrar os últimos judeus  vivos sobreviventes do Holocausto que migraram para a Suíça.

A série intitulada “Os últimos sobreviventes suíços do Holocausto” captura a dignidade que um dia foi silenciada dos que sobreviveram a um dos eventos mais tristes da história.

O país se declarou neutro durante a Segunda Guerra Mundial mas, na verdade, historiadores revelam que o governo forneceu à Alemanha Nazista muito dinheiro, armamento e política restritiva de asilo – o que contribuiu para o Holocausto.

Aproximadamente 30.000 judeus conseguiram migrar para a o país, o qual recusou quase o mesmo número em suas fronteiras.

Os retratos acompanham relatos de algumas dessas pessoas que sobreviveram para contar, e relembram o que não pode jamais ser esquecido ou apagado. 

Intenso ensaio fotográfico relembra os últimos sobreviventes suíços do Holocausto

 

“Então eles tatuaram em mim: 71978. Eu chorei muito. Não apenas pela dor; por causa do número. Eu havia perdido meu nome e era apenas um número. Minha mãe me disse: “Não chore, nada aconteceu. Quando chegarmos em casa, você vai ganhar sapatos de dança e uma pulseira grande, e ninguém vai enxergar os números.” Eu nunca ganhei os sapatos ou a pulseira”.

– Nina Weil

“Nós fomos deportados em um vagão de gado. Nós havíamos viajado durante três dias quando o trem parou. Eu de repente ouvi alguém gritando em alemão: “Desçam!” Eu olhei para fora do vagão de gado e vi como a SS estava batendo nas pessoas para saírem mais rápido do trem. Uma mulher que cuidava de seu filho estava andando muito devagar; a SS pegou seu bebê e jogou em um caminhão. Pessoas idosas e doentes também foram jogadas no caminhão. Eles seriam imediatamente gaseados”.

– Eduard Kornfeld

“No campo, eu estava no comando dos trabalhos. Nós tínhamos que assentar os trilhos de aço dos trens. Eu era o menor e mais novo do grupo. No começo, haviam 30 de nós. No fim de 1944, dois de nós permaneceram vivos. Como eu consegui? Tive sorte. Eu tinha um cabelo vermelho e brilhante. Os alemães me chamavam de “Rotkopf”, “ruivo”. Me deram o trabalho mais fácil”.

– Fishel Rabinowicz

“Nós estávamos em casa e a campainha tocou. “Você é o senhor Appel? Então venha conosco”. Meu pai virou para mim e disse: “Vá para a escola”. Foi a última coisa que ele me disse. Eu nunca mais o vi novamente”.

– Klaus Appel.

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Jornalista, escreve sobre arte, cultura, comportamento, psique, política e assuntos gerais relacionados às ciências, sociedade e mundo geek.