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Poeta Manoel de Barros morre aos 97 anos

Poeta Manoel de Barros morre aos 97 anos

O poeta, fazendeiro e advogado Manoel de Barros, de 97 anos, deixou este mundo nesta quinta-feira (13). Nascido em Cuiabá em 19 de dezembro de 1916, ele passou por a infância no Pantanal sul-mato-grossense e passou os últimos anos em Campo Grande ao lado da esposa.

Barros teve 28 obras publicadas ao longo de seus 74 anos de carreira e teve três obras traduzidas para outros idiomas.

Também recebeu 13 prêmios ao longo da vida, entre eles o Prêmio Jabuti de Literatura, com as obras O Guardador de Águas e O Fazedor de Amanhecer’e em também foi premiado pela Academia Brasileira de Letras em 2000.

Abaixo você confere duas poesias do autor, que faz parte de uma matéria publicada pela Revista Bula, a qual reúne algumas das principais obras do autor.

Manoel de Barros

O apanhador de desperdícios

“Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.”

 

Tratado geral das grandezas do ínfimo

“A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogios.”

 

Mais poesias de Manoel de Barros você encontra na matéria completa publicada pela revista, aqui.

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Jornalista, co-fundador do Geekness. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru e BABOO e repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World. Curta o Geekness no Facebook!