O ínicio de tudo em Fear The Walking Dead

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Quando Fear The Walking Dead foi anunciada, gerou uma grande dúvida entre o público fã de The Walking Dead (seja dos quadrinhos ou da série). Como seria essa abordagem de um mundo ainda entrando no temido apocalipse zumbi? Como seria a transição entre a normalidade e os dramas cotidianos para a luta pela sobrevivência?

Nos 6 episódios desta primeira temporada, Fear The Walking Dead tenta explorar todas essas questões, acertando aqui, errando ali, mas trazendo, no geral, uma série bem competente.

Pressa na história

As mudanças na atmosfera urbana começam acontecendo aos poucos ao longo dos 2 ou 3 episódios iniciais, até que o apocalipse cai, virando tudo de cabeça para baixo em um instante, e talvez isso seja um erro. A série que começa mostrando alguns pequenos dramas da família protagonista, com apenas alguns vislumbres de algo errado, logo é tomada por confusões, anarquia e o exército, que tenta controlar as coisas com sua mão de ferro. A alteração da linha dramática é feita de forma muito rápida, deixando de lado o suspense para inserir, principalmente nos episódios finais, ataques zumbis em uma escala maior. O horror da descoberta, o medo e o suspense acabaram deixados de lado nessa mudança, e poderiam ser algo bem mais poderoso e interessante para a proposta de Fear The Walking Dead.

Esse problema acaba influenciando nos dramas pessoais dos personagens, com algumas questões apresentadas sendo esquecidas ao longo dos episódios, como o problema com drogas que um dos personagens têm, ou a complicada situação que é a união das duas famílias do personagem Travis (sua ex-esposa e filho, e sua nova namorada e filhos). Acaba que todos ficam com pouco espaço e dificulta alguém conseguir destaque ali.

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Produção

Se o roteiro deslizou em alguns momentos, a produção conseguiu manter um bom padrão ao longo da temporada inteira. Embora não tenha se arriscado muito (ainda mais se comparada a The Walking Dead), tivemos uma qualidade recorrente na fotografia, maquiagem e efeitos visuais, algo essencial para este tipo de produção. Alguns momentos foram de brilhar os olhos, como uma cena no final da temporada, onde a ação se passa em um corredor cheio de zumbis e luzes se acendendo e apagando, trazendo uma tensão e sentimentos clássicos do gênero do horror.

O grupo de atores e atrizes também conseguiu se virar bem com o que tinham para entregar. O pouco tempo de tela prejudicou alguns, mas houve espaço para destaques, como Rubén Blades, interpretando um mexicano que participou de guerras civis em seu país. Apenas uma ou outra pessoa não conseguiu entregar muito, e isso cai mais na questão do roteiro do que qualidade de atuação (são os casos de Alycia Debnam-Carey ou Lorenzo James Henrie).

Fear The Walking Dead teve seus erros e acertos nesta temporada. Não conseguiu saltar aos olhos, principalmente como sua irmã, mas manteve o interesse do público ao longo dos episódios. Se acertar o seu ritmo e decidir qual caminho seguir, pode se tornar melhor no futuro.

fear-the-walking-dead-reviewFear The Walking Dead

Criador: Dave Erickson, Robert Kirkman

Roteiro: Dave Erickson, Robert KirkmanCharlie AdlardTony Moore

Duração: 60 minutos

Elenco: Kim DickensCliff CurtisFrank DillaneAlycia Debnam-CareyMercedes Mason

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