O Paradoxo de Fermi

Existe vida fora da Terra?

Os anéis de Saturno fotografados pela Cassini em janeiro/2015, a 911 mil km de distância.

Os números do universo – vastos números, grandiosas contagens de estrelas e corpos celestes, probabilidades e distâncias impensáveis – apontam que deve ser muito improvável que tenhamos sido sorteados na grande loteria do universo sendo o único planeta com vida num raio de ∞ anos-luz.

Convenhamos, esse tipo de sorte seria um BAITA tipo. As condições de vida na Terra, apesar de uma combinação muito peculiar, não são tão raras assim pensando em amostragens de trilhões de planetas. Ainda mais improvável que isso tenha acontecido apenas muitos bilhões de anos após o começo das coisas.

No entanto temos nenhum contato, e pouquíssimas evidências, de que tenha mais alguém lá fora.

Essa contradição tem um nome: o Paradoxo de Fermi.

Você pode já ter lido sobre esse paradoxo. O argumento básico foi criado por Enrico Fermi e Michael H. Hart. A questão que ele levanta é bastante simples:

A Terra é um planeta jovem, assim como o Sol é jovem. Considerando que não podemos mais atingir as galáxias dentro do universo observável, pela questão que falamos na coluna anterior sobre o universo em expansão tornar algumas distâncias simplesmente inalcançáveis, mesmo aqui na Via Láctea há chances muito boa de termos muitos e muitos planetas capazes de suportar vida. Eles poderiam ter se formado muitos bilhões ou trilhões de anos antes da Terra, o que os daria uma boa vantagem evolutiva.

Pela escala Kardashev – que propõe classificar o nível de evolução tecnológica de uma civilização com base em seu consumo de energia e recebe esse nome por conta do seu criador, o astrônomo Nikolai Kardashev – essas possíveis civilizações poderiam ser divididas em 3 tipos:

  • O tipo 1 domina uma tecnologia próxima à que temos na Terra, consumindo energia equivalente a todas as fontes de energia do seu planeta. Ainda não chegamos nem bem ao tipo 1, tão jovens como somos.
  • O tipo 2 domina tecnologias capazes de coletar energia da própria estrela central do seu sistema.
  • O tipo 3 domina e coleta energia numa proporção equivalente a toda a sua galáxia.

Mesmo no passo evolutivo que seguimos hoje, seria possível evoluir viagens interestelares e conquistar toda a Via Láctea em um par de milhões de anos. Se a Terra for menos uma exceção e mais um caso comum, já seria tempo de uma civilização ter desenvolvido viagens interestelares. No entanto, nunca vimos outra civilização de nenhum desses tipos. O que pode ter acontecido?

É aí que entra o filtro.

O conceito do Grande Filtro se origina de observações de Robin Hanson e é geralmente aplicado no paradoxo de Fermi. O filtro seria um limite para a vida; um ponto do qual uma civilização simplesmente não consegue passar, por qualquer motivo que seja. Pensando no quanto uma civilização capaz de explorar todo o universo observável teria que ser evoluída tomando por base o histórico de evolução da humanidade, ela tem alguns passos no caminho evolutivo a cumprir:

  1. O sistema estelar correto (com planetas habitáveis)
  2. Moléculas reprodutivas
  3. Vida simples, uma única célula
  4. Vida complexa em uma única célula
  5. Reprodução sexual
  6. Vida multi-células
  7. Animais com grandes cérebros que utilizam ferramentas
  8. Onde estamos hoje (você está aqui!)
  9. Explosão de colonização

Assumindo essa lista como completa, o que o Grande Filtro prega é que ao menos um desses passos é improvável, o que explicaria a ausência das outras civilizações para nós.

Isso significaria também que, se o filtro não acontece num dos passos pelos quais já passamos, ele pode estar no futuro. Mas se o nosso passado não é improvável, então muitas civilizações como nós existem por aí. Nesse caso nenhuma delas já teria chegado ao passo 9, senão já teríamos trocado um olá, certo?

Isso quer dizer que o passo 9 é o nosso grande filtro, e que provavelmente vamos morrer em breve?

Where is everybody? ¯\_(ツ)_/¯

Se quiser saber mais sobre o assunto, um vídeo bastante explicativo sobre o paradoxo (e também muito bonitinho):

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  • Chloe

    Cara. Cara. Sempre que eu vejo uma reportagem como essa, a minha cabeça parece que vai explodir. É a coceira da alma, não saber o que vem depois. O espaço me dá medo, mesmo eu existindo agora nele. Ai que medo. Alguém me puxa que eu vou ter um troço.
    (Adorei o Geeknesse, tem um pouco de tudo numa linguagem bem acessível, parabéns pelas matérias!)