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O plágio do IGN Brasil e a vergonha no jornalismo

O plágio do IGN Brasil e a vergonha no jornalismo

Dias tristes para os jornalistas especializados em games. O plágio, a praga que acompanha o jornalismo, foi um assunto recorrente nesta semana.

Explico rapidamente o caso, e depois discorremos um pouco sobre esse assunto atordoante:

Plágio do IGN Brasil: Falemos sobre, ou, com o rabo entre as pernas, joguemos para baixo do tapete?

O IGN Brasil, um dos maiores sites de entretenimento tupiniquim, publicou uma matéria copiada. Na cara dura.

Quase palavra por palavra.

A merda bateu no ventilador depois que um espectador do Youtubber conhecido como Psyclown no Twitter, dono do canal Writing On Games, avisou ele sobre um texto publicado no IGN.

O cara foi conferir e notou que todo o texto foi retirado de um de seus vídeos sobre The Legend of Zelda: Breath of the Wild. E o pior: o autor do texto era nada menos do que um editor do IGN Brasil.

Começaram a jogar lenha no Twitter, e o assunto logo tomou outras proporções.

Marcus Oliveria, o plagiador, se desculpou e disse que se sentiu envergonhado pelo que fez.

Realmente, vergonha é a definição.

A caminhada de um espertinho

Plágio é o atalho para não precisar pensar ou desenvolver ideias. É o famoso “se dar bem às custas dos outros”.

É uma falha de caráter.

Acontece recorrentemente no jornalismo. E desta vez, de uma forma bastante escancarada.

Esse tipo de ação nada mais é do que corrupção. Apropriação intelectual. Você simplesmente reproduz todo o pensamento, pesquisa, produção e trabalho de uma pessoa como se fosse seu.

Isso é ridículo.

O intuito aqui não é jogar ninguém na fogueira, mas sim difamar essa prática esdrúxula muito comum no ramo jornalístico, blogger, web, acadêmico e assim por diante.

Mesmo porque nenhum site vai comentar sobre isso. Talvez pela “brodeiragem”, já que todo mundo é “amigo” do Marcus. Talvez por vergonha ou qualquer outra balela.

O IGN Brasil se retratou timidamente. Há uma “Carta do Leitor” publicada no site. Pelo tamanho da “treta”, ela está bem difícil de achar, já que não está na home ou Facebook. Se ninguém tivesse visto, ia passar batido.

E a gente ia ter um cara ganhando créditos às custas dos outros. Mesmo porque, se foi pego nessa, quem sabe quantas matérias do indivíduo na verdade são de OUTROS indivíduos, e não de sua própria autoria.

Há quem construa a carreira à base de plágio. Você já deve ter ouvido um e outro relato como esse por aí.

Para citar um, o caso da “jornalista” da Veja, Joice Hasselmann, que plagiou ao menos 65 reportagens escritas por 45 pessoas diferentes.

O espetáculo do jornalismo de games

E é por isso que a gente tem que falar sobre. Para eliminar esse tipo de comportamento escracho.

E também porque poucos tem coragem de expor as porcarias que acontecem nesse ramo. Seja por vinculação às marcas, anunciantes, poderes ou influência.

Há o medo de perder o emprego, ficar mal falado, mal visto, não conseguir mais vagas na área, manchar a carreira, a imagem.

Já fiz parte e fui mais próximo de tudo isso. Sou assessor de imprensa e já trabalhei como repórter em sites e revistas especializados em games. Conheço grande parte das pessoas. Das mais nobres até as mais chulas.

Inegável que quem se beneficia nessa área não necessariamente é o melhor ou mais dedicado profissional. Mas sim aquele que convence os outros disso. Ou conta com a sorte de estar na hora certa no lugar certo.

E os meios usados para isso são dos mais variados.

O puxa-saco, ou no mínimo algo bem próximo ou semelhante desse termo, é o favorito.

Acontece em todo lugar. No jornalismo de games não é diferente.

Tanto que grandes eventos, cheios de ostentação, bebidas à vontade, canapés e glamour, são feitos quase que unicamente para os jornalistas se sentirem poderosos.

Tudo para que eles vejam o produto com outros olhos, geralmente baixos, sob efeito ou de euforia e êxtase do ambiente festivo ou apenas álcool. É que surte efeito, aparentemente.

E, claro, desempenharem seus skills de puxa-saquismo com produtores, marcas, agências, os donos da grana.

No entanto, eu como um cara reservado, até meio tímido e com grande inclinação aos pensamentos críticos e mais sociais, não me encaixei muito bem. Enquanto muitos pregam por sua própria imagem, prezo e sempre presei pelas ideias. Ou pela informação.

O fato de absorver, pesquisar, compreender e digerir a informação para depois disseminar ao leitor/espectador de uma forma mais leve, compreensível, sob o próprio olhar e com a própria bagagem cultural, é o que criou minha paixão pelo jornalismo.

A mágica da conversa informativa, a utilidade.

Uma espécie de doação intelectual que o jornalista presta à sociedade. Aí é que está a chave do ramo e da profissão.

E quando a gente vê que nem mesmo as ideias são originais, dignas de uma reflexão, construção e ponderação do indivíduo, o que sobra?

Nada.

Ética a gente aprende na escola. E também na vida.

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Jornalista, co-fundador do Geekness. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru e BABOO e repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World. Curta o Geekness no Facebook!