Crônica

Saudades da Rede Manchete – Crônica

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É isso mesmo que você leu no título, muita saudade da extinta Rede Manchete, o canal de televisão favorito de cada 11 entre 10 garotos nascidos nos anos 80. Para as gerações mais novas, que nunca ouviram falar da Manchete, eu explico: o canal da família Bloch (isso mesmo, da atriz Débora Bloch) era uma mistura de Locomotion, HBO e Rede Globo. Que mistura doida, não?

Pois eu explico melhor ainda: a Rede Manchete era a única emissora que exibia animes e seriados japoneses, excelentes filmes e documentários e produzia telenovelas de altíssimo nível, tanto que grande parte dos atores da Rede Globo atual vieram da Manchete, após o encerramento do canal.

Nenhuma outra emissora tratou com tanto respeito as produções orientais quanto a Manchete. Mesmo a Rede Record, que transmitiu Pokémon exclusivamente durante muito tempo, ou as demais emissoras que exibiram diversos animes, souberam dar valor e importância ao público que assistia aos desenhos de olhos grandões.

Rede Manchete e a cultura oriental

Na Manchete, o fã de Cavaleiros do Zodíaco e Jaspion era considerado, tinha seu lugar de destaque na programação. Era ouvido e atendido. Não como hoje, por meio de Facebook ou Twitter, mas por meio de carta. A molecada literalmente entupia a caixa postal da Manchete com pedidos por animes, séries, agradecimentos, sugestões e reclamações.

Na época, somente a Manchete soube identificar esse nicho de mercado e atendê-lo de maneira espetacular. Em tempos em que TV a cabo era luxo, uma emissora que transmitia programas que só existiam no Japão era totalmente revolucionária, e aclamada.

A Locomotion, o canal a cabo mais famoso de produções orientais da década de 90, só chegou ao Brasil muito tempo depois da Manchete, e só pegava na antiga TVA, que era um serviço disponível apenas em capitais, ou seja, não tinha como ter Locomotion no interior.

Apenas com a vinda da DirectTV foi possível ver a Locomotion, mas ai já era fim dos anos 90. Então, se não fosse a Manchete, teríamos perdido dez anos de excelentes produções de animes e seriados, como Shurato, Samurai Warriors, Changeman e Flashman.

changeman

No entanto, com o fim dos anos 90, veio também o fim da Manchete. Afundada em dívidas e sem o apoio do governo, a rede Manchete teve que fechar as portas e vender o seu patrimônio.

No fundo, sabíamos que seria o fim de anos de respeito e parceria entre os fãs de animes e a emissora, mas conservamos um último fio de esperança, imaginando que, talvez, a nova emissora – no caso a Rede TV – fosse manter Yu Yu Hakusho, Winspector ou Kamen Rider Black RX em sua programação. Não poderíamos estar mais enganados. Tudo foi deletado.

Essa é uma parte da história da Rede Manchete e de como a emissora ajudou a difundir a cultura oriental no Brasil. A única emissora que apostou nos fãs e trouxe o que o público queria. Nenhuma outra emissora jamais fez ou fará o que a Manchete fez pelos fãs de animes e seriados japoneses. Um muito obrigado à Rede Manchete.

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Gamer, boleiro, publicitário, louco por cultura asiática e romântico assumido. Nascido e criado no interior e agora trabalhando muito na capital. Nas horas vagas, escreve crônicas, desenha e anda de bicicleta.