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A teoria conspiratória da série Stranger Things

A nova série Netflix “Stranger Things” (2016) faz um mergulho em um subgênero dos anos 1980 que levou as teorias conspiratórias aos blockbusters: “ET”, “Contatos Imediatos”, “Os Goonies”, “Viagens Alucinantes”, “A Coisa”, etc. Mas também leva a sério a mãe de todas as conspirações, aquela que os pesquisadores da área chamam de Teoria da Conspiração Unificada (TCU) por explicar todos os paradoxos científicos atuais: o chamado “Projeto Montauk”. A série “Stranger Things” (que originalmente se chamaria “Montauk”) se inspira nas especulações em torno desse nebuloso projeto do Departamento de Defesa dos EUA dos anos 1970-80 envolvendo guerra psicológica e psíquica, além de controle da mente à distância. Mas parece que produziu algum efeito colateral que fez o Projeto terminar abruptamente em 1983. E agora esse efeito ameaça uma pequena cidade dos EUA.

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Desde que um OVNI caiu em Rosswel, Novo México, em 1947 o mundo não foi mais o mesmo. Seu resultado foi um imaginário que juntou a Área 51, testes nucleares no Deserto de Nevada e os decorrentes fantasmas da contaminação radioativa e Guerra Fria. E tudo amplificado por Hollywood e seus filmes sci-fi de monstros radioativos e invasões da Terra por discos voadores e ETs prontos para ocupar os corpos humanos.

A indústria do entretenimento irradiava a paranoia para todo o planeta e o seu personagem correspondente: o moderno detetive, aquele que não mais resolve crimes, mas agora conspirações. O detetive virou um arquétipo contemporâneo, cujo personagem Fox Mulder da série Arquivo X é o seu maior representante.

Mas o Detetive soma-se ao arquétipo do Estrangeiro, personagem que vê no deserto a melhor metáfora para a condição de estranhamento e alienação com esse mundo – não é à toa que todo a paranoia contemporânea se originou no Deserto de Nevada. Com isso, o Detetive, a paranoia e as conspirações se associaram a todos os “estranhos”: freaks, geeks, losers e outros habitantes dos undergrounds.

A nova série do Netflix Stranger Things dos irmãos Matt e Ross Duffer faz um mergulho retro a uma época que viveu mais um pico desse clima conspiratório: os anos 1980 da Era Ronald Reagan onde a Guerra Fria foi reavivada.

Lançada nesse mês, a série faz uma verdadeira arqueologia de um subgênero que prosperou naquela década e que levou o imaginário da paranoia e conspirações ao nível do entretenimento: Contatos Imediatos, ET, Viagens Alucinantes (Altered States), Os Goonies, Indiana JonesA Coisa. Tudo embalado pelo som sync-pop da época.

Mas na sua pesquisa arqueológica daquela década, Stranger Things vai resgatar a mãe de todas as conspirações, considerado por muitos a Teoria Conspiratória Unificada (TCU) capaz de explicar todos os mistérios e paradoxos do mundo atual: o chamado Projeto Montauk, a verdadeira Área 51 dos anos 70-80.

E o que torna a série um marcante exemplo da sensibilidade pós-moderna atual é que seus autores, os irmãos Duffer, nasceram nos anos 1990. Ou seja, a série é atravessada por uma paradoxal nostalgia de uma época que não foi vivida pelos autores. Por isso, Stranger Things é ainda mais arquetípica: os Duffer fazem uma reconstituição detalhista de um subgêneros dos anos 1980 para tentar expressar um imaginário (detetives e estrangeiros) ainda atual.

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Mestre em Comunição Contemporânea (Análises em Imagem e Som) pela Universidade Anhembi Morumbi.Doutorando em Meios e Processos Audiovisuais na ECA/USP. Jornalista e professor na Universidade Anhembi Morumbi nas áreas de Estudos da Semiótica e Comunicação Visual. Pesquisador e escritor, autor de verbetes no "Dicionário de Comunicação" pela editora Paulus, organizado pelo Prof. Dr. Ciro Marcondes Filho e dos livros "O Caos Semiótico" e "Cinegnose" pela Editora Livrus.